A violência sexual contra crianças e adolescentes não ocorre apenas em espaços desconhecidos ou públicos. Na maioria dos casos, ela acontece em ambientes próximos e cotidianos, onde a criança deveria estar segura. Grande parte das situações ocorre:
Dentro de casa
Na casa de familiares ou pessoas conhecidas
Em espaços frequentados pela criança, como vizinhança ou em atividades cotidianas
Também no ambiente digital, por meio de redes sociais, jogos e aplicativos
Isso acontece porque o agressor, muitas vezes, utiliza a proximidade e a confiança para se aproximar da criança e manter a violência em segredo.
Não existe um perfil único de agressor(a). Pessoas que cometem violência sexual contra crianças e adolescentes podem ter diferentes idades, classes sociais, religiões e gêneros. O que geralmente está presente nesses casos é a relação de poder, confiança ou proximidade com a vítima.
Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, o agressor geralmente não é alguém desconhecido. Na maioria dos casos, trata-se de alguém próximo, como:
Pai, padrasto ou outro responsável
Parentes (tios, primos, avós)
Pessoas conhecidas da família
Vizinhos ou amigos
Cuidadores ou pessoas em posição de autoridade
Esses agressores podem:
Construir uma relação de confiança com a criança
Utilizar afeto, atenção ou presentes como forma de aproximação
Manipular, ameaçar ou pedir segredo
Embora a maioria dos casos envolva homens, mulheres também podem ser autoras de violência sexual, ainda que em menor proporção. Essa possibilidade precisa ser reconhecida para que a proteção das crianças seja efetiva em todos os contextos.
Quando o agressor é alguém próximo:
A criança pode sentir medo, confusão ou culpa
Pode haver dependência emocional ou material
A família pode ter dificuldade em reconhecer ou aceitar a situação
Além disso, o agressor pode usar estratégias para silenciar a vítima, como ameaças ou manipulação emocional. Por isso, é fundamental compreender que a violência sexual infantil muitas vezes acontece em contextos de confiança e que a atenção deve estar presente em todos os ambientes.
É comum que os termos sejam confundidos, mas eles não significam a mesma coisa.
Pedofilia refere-se à atração sexual por crianças e é classificada como um transtorno relacionado à preferência sexual, segundo a Organização Mundial da Saúde. Isso não significa, necessariamente, que a pessoa cometerá um crime.
Abuso sexual é o ato de violência em si — quando alguém envolve uma criança ou adolescente em uma situação de natureza sexual. Esse é o crime.
Ou seja: nem todo pedófilo é abusador, e nem todo abusador é pedófilo.
Ao se referir a situações de violência sexual contra crianças e adolescentes, o termo mais adequado é agressor sexual, pois destaca o ato cometido e a responsabilidade de quem praticou a violência. O uso do termo “pedófilo” pode gerar confusão e até trazer riscos na compreensão do problema, porque:
Coloca o foco da violência para uma suposta condição individual
Pode levar à ideia equivocada de que o crime é resultado de uma “doença”, o que pode suavizar ou justificar a ação
Nem todo agressor possui diagnóstico de pedofilia
O abuso pode ser cometido por diferentes pessoas, independentemente de um transtorno
Por isso, é fundamental nomear corretamente: trata-se de violência e crime, que exige responsabilização e proteção da criança.